Eleições 2016: o meu candidato

Este será ano de eleições no Benfica. Independentemente do que a época nos reservar até ao fim e independentemente do que for o primeiro terço da próxima época, defendo ser necessária uma mudança de liderança no Benfica. Desde logo, por uma questão de alternância democrática, cuja virtude basilar é a de reduzir riscos de caciquização e apropriação de instituições por reinados "eternos".

Não me debruçando sobre as questões que aponto como negativas à direção cessante (e, provavelmente, novamente candidata em Outubro), debruço-me hoje sobre o candidato que apoiarei caso decida avançar: Fernando Tavares. O Fernando Tavares é um dos raros Benfiquistas que tendo assumido cargos no Benfica e posições sobre o clube muito relevantes em vários momentos decisivos não se deixou arrastar para os famosos grupos de notáveis que se tornaram com o tempo cadastro e não currículo. Há aqui desde logo um "savoir faire" na altura de discutir o Benfica e de agir sobre o clube que denuncia algo que eu há muito anseio: ver classe. Classe acima de qualquer dúvida na liderança de topo do clube.

Eu que não me lembro já de presidentes anteriores a Manuel Damásio mas que ainda tremo quando vejo vídeos com intervenções públicas de presidentes como João Santos, vejo em Fernando Tavares as características fundamentais para ser um presidente totalmente alinhado com os melhores pergaminhos da nossa história. Muito bem formado, como pessoa e como profissional, com uma visão do desporto muito pura e desprovida do chico-espertismo e do taberneirismo de pacotilha que se tornou um standard no nosso futebol, é alguém que antes de qualquer outra coisa é um fervoroso Benfiquista.

As bases que lançou na sua breve passagem pelo clube, entre 2003 e 2006, permitiram resgatar de um fecho anunciado as modalidades amadoras do clube e projectá-las com um trabalho que aliás tem tido, felizmente, boa continuação.

Além do Benfiquismo, o Fernando Tavares é um líder por natureza. Não um líder à antiga, um chefe ou um patrão. Um líder como se concebe nas melhores práticas da gestão do século XXI. Alguém que arrasta consigo pessoas e vontades não pela determinação de obrigações ou deveres de lealdade, mas pela inspiração e pela confiança cuja forma de estar e de atuar transmitem. As lideranças naturais, que não se impõem pelos berros ou pelas normas, são as mais efetivas. E quanto tem faltado isso ao Benfica ... !

Porque privei com ele e o conheço bem, vejo no Fernando Tavares a esperança de uma liderança verdadeiramente agregadora para o clube. Desde logo porque a agregação não se faz com manobras estatutárias ou com guerrilhas internas de extinção de oposição, mas faz-se precisamente criando o tempo e o espaço para a franca discussão de ideias. Tenho a certeza que isso pode ser uma realidade dentro e fora da direção. Na direção, sei que poderemos contar, se ele e os Benfiquistas quiserem, com um presidente disposto a ver nos seus pares um verdadeiro colégio executivo pronto a pensar, de forma pluridisciplinar, o futuro do clube. E sei que fora dela, as assembleias-gerais podem aspirar a ser um revigorado centro de debate do Benfica, mais aberto à participação dos sócios e revalorizado com as exigências e particularidades dos tempos que vivemos.

Desportivamente, não espero menos do que a assunção da presidência da SAD por Fernando Tavares. É um homem que conhece como poucos os edifícios institucionais do desporto e do futebol em particular. Conhece o fenómeno na perspetiva do adepto, mas também do treinador, dos jogadores, dos dirigentes e até dos intermediários. Não é um para-quedista nem nas questões do Benfiquismo nem para uma gestão profissionalizada do maior clube português. Tenho a certeza que, apesar do capital de experiência e conhecimento específicos que tem para os cargos (presidente do clube e presidente da SAD), teremos a garantia de ver as muitas pessoas que fazem parte da estrutura de base do futebol do Benfica com reais oportunidades de aportar valor à gestão estratégica dos nossos projetos desportivos. As lideranças intermédias não serão mais um biombo da direção, mas sim os catalizadores de uma verdadeira união e troca de experiências da base para o topo e do topo para a base.

Tendo em conta que é previsível que os negócios fechados pela atual direção permitam ao clube/SAD ter pelo menos um horizonte de poder amortizar dívidas contraídas por esta mesma direção, não prevejo que seja indispensável mantermos os atuais dirigentes como se de uma relação umbilical se tratasse. É aliás um elogio aos atuais corpos dirigentes, que nesta fase preparam o clube para uma real evolução e não para um imobilismo inevitável. Tendo em conta que passaram 15 anos sobre a entrada do presidente no Benfica e 13 desde que foi efetivamente eleito para presidente, o clube necessita de uma evolução e de ideias novas. Ficar no mesmo sítio e com as mesmas pessoas, por muito boas que sejam, resultará a prazo numa perda de competitividade em vários domínios, nomeadamente no das conquistas desportivas.

Sem prejuízo de que este cenário que desejo não chegue sequer a ser uma possibilidade e sem prejuízo de assim olhar para outros projetos, a minha expressão de preferência absoluta por Fernando Tavares tem sobretudo o valor de demonstrar que inequivocamente me parece que entre todos os Benfiquistas elegíveis, este é aquele que melhor poderá reunir apoios, notoriedade, paixão, sensibilidade para os temas da gestão e capacidade de agregação de uma enorme massa adepta como a nossa.

Estou certo que seríamos muitos a querer contribuir ativamente para uma candidatura deste género. Com estas qualidades, com estas potencialidades e com esta sinceridade pessoal. Haja candidato que logo haverão apoiantes!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *