Costa melhor que Santana Lopes

Santana Lopes carrega a cruz de ter tido um governo patético - que em parte não escolheu, sendo-lhe sim imposto por Jorge Sampaio (cujas crónicas de Ruis Tavares e quejandos não classificaram como presidente parcial, vá-se lá perceber).

Imaginemos que Santana Lopes em quatro meses acumulava:

  • Um ministro a insultar um dirigente na praça pública durante uma semana, para o demitir a seguir ao espetáculo;
  • Um ministro que decidisse em Janeiro um modelo de exames diferente para aplicar no ano letivo em curso;
  • Um ministro que viesse para a praça pública divulgar os puxões de orelhas que fez em privado aos comandantes do exército;
  • Desconhecimento sobre o próprio programa económico;
  • Cunhados, primos e outra família distribuídos por vários ministérios;
  • Bullying institucional sobre instituições como o Banco de Portugal;
  • Um ministro a ameaçar jornalistas com bofetadas;
  • Decapitar quase todas as direções da administração pública em menos de dois meses, substituindo por malta cuja única coerência de CV é ser da entourage do líder do Governo;
  • Eleger um número recorde de ministros, secretários de estado e assessores e demorando semanas na sua publicação online;
  • Mandar o melhor amigo para mediar negócios de centenas de milhões de Euros, públicos e privados, em nome do Governo - alguns na área de negócios privados do próprio amigo;
  • Fazer um contrato com o melhor amigo para se manter nos negócios mas sem ter de se expor ao regime de incompatibilidades dos membros do Governo;
  • Fazer uma lei de arrendamento à medida dos sonhos eleitorais do seu delfim na Câmara de Lisboa;
  • Aconselhar os portugueses a andar menos de carro;
  • Um ministro a mentir numa Comissão Parlamentar de Inquérito;
  • Um banco vendido à pressa e sem explicações, num negócio inacreditavelmente bom para o privado que adquire;
  • Uma data de discussões com instituições europeias onde ficasse patente a incompetência técnica do seu governo;
  • Uma subida de impostos sobre combustíveis reversível com aumento da cotação do petróleo que acabasse por ser definitiva;
  • Um acordo estéril com uns doidos gregos, borrando a cara dos portugueses de alto a baixo depois dos sacrifícios por que todos passámos;
  • Um secretário de estado conhecido por fazer tremer as pernas de bancos internacionais;
  • Que aprovasse aumentos de reformas superiores a 4000€ ao mesmo tempo que admitisse incapacidade para beneficiar mais os mais pobres;
  • Que inventasse ilegalidades na adjudicação de uma concessão de transportes públicos de um governo anterior, ao mesmo tempo que adjudica sem ouvir mais ninguém essa mesma concessão, por um preço superior, ao mesmo accionista a quem pagou para recuperar capital na TAP;
  • Que investisse na recuperação de capital na TAP sendo claro para todos que não foi acompanhado de recuperação de poder efetivo na empresa;
  • Que impusesse chefes de gabinete pelos vários ministérios, contrariando o óbvio hábito de reservar a escolha a pessoas de confiança de quem dirige... o gabinete!
  • Que desse posse a um secretário de estado que pagou ao Grupo Lena por obras nunca realizadas à frente de um organismo público;
  • Que garantisse um mundo totalmente diferente para melhor e acabasse a destruir boa parte da tendência de recuperação que o país evidenciava;
  • Que tivesse um ministro da segurança social a mandar bitaites sobre a política de Educação;
  • Que tivesse um ministro a mandar os portugueses abastecer combustível só em Portugal;
  • Que tivesse um secretário de estado a bater com a porta denunciando más práticas no Governo;
  • Que exibisse o nível intelectual e de discurso de um bloco de granito esquecido na Serra da Estrela.

Será que Santana teria tido tempo para conseguir uma lista destas em apenas 4 meses? E se, em vez de ter uma maioria parlamentar a suportá-lo, estivesse em minoria e a depender de forças anti-europeias e anti-economia de mercado?

Ah, Portugal. O local onde contentando meia dúzia de corporações se consegue imunidade contra a própria incompetência, desfaçatez e contra os sinais exteriores de "riqueza negocial". Rindo e cantando, com o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. E com Marcelo sempre a sorrir.

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