Razões para investigar a CGD

Deixando claro que me pareceria mais lógico encomendar primeiro uma auditoria forense à Caixa Geral de Depósitos seguida de uma Comissão de Inquérito no Parlamento, há muitas razões para querermos saber o que se passou e se passa no banco público.

Não exaustivamente:

  • Contrariamente a outros bancos, este é público desde sempre. O Parlamento até devia promover inquirições regulares à gestão da Caixa e não só quando há problemas;
  • É, de longe e mesmo somando alguns lucros do passado, o banco do sistema que mais dinheiro exigiu aos contribuintes;
  • O que hipoteca o futuro de um banco é a incerteza sobre os seus processos de gestão e não as páginas do seu passado;
  • Todas as grandes figuras do Partido Socialista que estiveram de alguma forma relacionados com os maiores processos de corrupção e má gestão estatal estão contra a auditoria à gestão da Caixa;
  • Todas as grandes figuras do PSD que antecederam a liderança de Passos Coelhos estão contra a auditoria à gestão da Caixa;
  • O Bloco de Esquerda e o PCP estão contra a auditoria à gestão da Caixa;
  • Foi através da Caixa que se autorizaram os maiores empréstimos efetuados no país sem adequada gestão de risco, normalmente a grandes financiadores partidários ou mesmo a empresas relacionadas com os partidos. E foi através da Caixa que o Estado andou a brincar às empresas privadas (Oi, PT, BES).

Parece-me que tudo combinado resulta que se nunca houve um consenso tão grande para tapar os segredos da atuação de um banco, ainda por cima público, então é porque é mesmo vital que se faça a Comissão Parlamentar de Inquérito.

Se de muitas figuras de PS e PSD já era de esperar a recusa em investigar o que se passou (Sócrates, Vara, Ferreira Leite ou Teixeira dos Santos tiveram certamente muito a ver com algumas das piores práticas), não deixa de ser giro ver as "virgens" de partidos como o PCP ou o BE rejeitarem qualquer apuramento de responsabilidades e causas para o desfalque (que é só o maior de todo o sistema bancário!). Terão medo que seja revelada frágil a independência da gestão do banco aconselhando a uma separação total de Estado e banca? Estarão, por ideologia, a tentar negar o encontro com a verdade a todos os contribuintes?

Uma coisa é certa. Passos Coelho volta a fazer, até na oposição, o que é menos popular entre o establishment. Neste caso, sem dúvida, isso é uma grande medida do seu acerto. Vamos lá investigar que já se faz tarde....

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *