Impressões do Euro 2016

De seleções, habitualmente só sigo fervorosamente os Mundiais, de quatro em quatro anos. Nesses palcos, junta-se a maturação europeia, a cor africana, a ingenuidade asiática, a excelência técnica sul-americana e a antecipação norte-americana. O Euro, como outras competições continentais de seleções, foge menos ao que vemos habitualmente nas competições de clubes. E, por isso, nunca exerceram grande encanto sobre mim.

Este Euro 2016 é facilmente o pior que já vi na minha vida. Não tenho a menor dúvida que o alargamento a 24 equipas contribui em muito para isto. É uma competição onde apenas 2 de 6 terceiros classificados não passaram à fase a eliminar: mal por mal, não seria melhor ter 8 grupos de 32 equipas e ter na mesma só os dois primeiros a passar?

Pouca coisa vai ficar deste torneio para lá da excentricidade Islandesa e da inédita presença de Gales nas meias-finais. E, claro, da mais bonita final que uma competição deste género poderia ter em solo francês - o Portugal vs França.

Os jogos foram, com distância, o pior pacote de espetáculos futebolísticos já distribuído num Europeu de seleções. Guardaremos poucos momentos de brilhante futebol. Ofensivamente, talvez o mais gourmet dos pratos tenha sido servido pela Bélgica, fruto de uma geração fenomenal que merecia um treinador à altura. Defensivamente sobram poucas dúvidas de que a Itália conseguiu ser mais Itália do que habitual, superando em competição o ónus de ter apresentado provavelmente o pior conjunto de jogadores em largos anos.

Espanha mostrou futebol mas foi de pouca dura (e agora sim, o ciclo vitorioso está fechado), a Croácia foi agradável, a Islândia uma surpresa e a Alemanha uma super equipa que só caiu perante o melhor jogador do torneio. Menção honrosa para a Inglaterra, que continua a formar os colectivos mais ridículos do futebol de seleções.

França está na final depois de ter finalmente vencido a Alemanha num grande torneio, voando nas asas de Griezmann, com grande distância o melhor jogador deste campeonato. Mas também não entusiasmou particularmente, apesar de Payet e até Giroud se terem somado a uma eficácia goleadora a merecer registo.

Espero que Portugal vença a final mas isso não mudará algo que tomo como um facto - foi o pior futebol que já vi Portugal praticar. Nem sequer foi particularmente competente a defender - foi sim uma espécie de estratégia de permanente anti-jogo a fazer lembrar a Grécia de 2004. Futebolisticamente, para esquecer.

Para mim, o momento alto deste mês de competição foi quando Zivkovic assinou pelo Benfica.

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