Pré-época do comentário

Também o comentário futebolístico tem pré-época: tenta-se analisar o melhor que se consegue, mas com os processos de comentário a reiniciarem após a folga estival é possível que o discernimento ainda não esteja suficientemente entrosado nos seus processos.

No entanto, tenho opinião sobre a pré-época do Benfica, claro.

As saídas:

Saiu o motor do Benfica (Renato Sanches) e o jogador que mais assistências fez (Gaitan). Não é possível, num clube com a dimensão financeira do Benfica, considerar perdas menores mesmo à luz de eventuais boas contratações. Ainda mais saídas vão haver e das prováveis só espero que duas sejam evitadas a todo o custo: Lindelof e Jonas.

Boa parte do sucesso desta época se joga na mestria com quem se vai gerir saídas adicionais.

As entradas:

Este ano comprou-se com mais critério e muito atempadamente. Não me lembro, no meu tempo de vida, de ver o Benfica a comprar com tanto critério e tão cedo. Negócios como Cervi, Carrillo e Zivkovic só são possíveis com um planeamento muito rigoroso.

Entrou Kalaica (acredito que comece na B), entrou Horta (e chega com um patamar competitivo muito mais elevado do que eu adivinhava - e já acreditava nele), entrou Celis (o jogador mais confuso da pré-época... juntou tantos pormenores de deixar água na boca como pormenores de levar ao desespero), entrou Danilo (que me garantem ser um real reforço) e Benitez (porque todas as épocas têm de ter pelo menos uma choruda luva a empresário em forma de jogador).

As dúvidas:

Com tanta qualidade e quantidade nas alas do Benfica, a grande dúvida é mesmo saber quem fica e quem sai. Parece-me que há cinco indiscutíveis, sendo que cinco noutros anos já seria considerado demais para apenas dois lugares: Salvio, Pizzi, Cervi, Zivkovic e Carrillo. Os cinco poderão acrescentar coisas diferentes e permitirão ao Benfica ir gerindo os respetivos momentos de forma: Salvio, Pizzi e Cervi são os que começaram melhor. Benitez (que talhante!) e Carcela (uma pena, mas a concorrência é demais) na porta de saída.

Na frente de ataque há muitos nomes também: Jonas, Mitroglou, Raul, Rui Fonte, Guedes e Jovic. Duvido que o Benfica possa manter mais do que quatro. Jovic perdeu claramente a corrida (chegou a iniciá-la ou está de férias ainda?), Rui Fonte provavelmente não quererá ficar como quarto avançado...

Finalmente no centro do meio campo também vejo dúvidas. Não é que ficar com Fejsa, Celis, Samaris, Horta e Danilo seja demais. E ainda se pode acrescentar a polivalência de Pizzi em caso de necessidade. Mas o subrendimento já crónico de Samaris aliado ao seu custo em salários pode abrir uma porta. Celis fez uma pré-época irregular, é difícil dizer o que pode dar... e portanto também é lícito pensar que pode não ficar no plantel.

Evoluções:

Parece evidente que o plantel terá este ano mais soluções e, em geral, mais qualidade. A pré-época, até pela forma como é conduzida, não é altura ainda para perceber se à evolução dos recursos humanos corresponde uma evolução coletiva. Mas tem de ser essa a expetativa.

Hesitações:

Não vou gastar mais linhas a dizer o quão importante é manter referências. Não tem nada a ver com isso e no entanto Luisão pode ser a hesitação do ano. O capitão até pode subir de forma, mas a sua presença invalida a maior conquista do ano passado: o bloco subido e muito curto no espaço ocupado. Com ele em campo, a defesa fica sempre mais longe do ataque - e perdemos eficácia. Esta hesitação vale golos sofridos e pontos.

O onze tipo:

Do que já vi desta pré-época, o meu onze tipo seria:

Julio Cesar, A. Almeida, Lindelof, Jardel, Grimaldo, Salvio, Fejsa, Horta, Cervi, Jonas e Mitroglou.

Conclusões:

A base da equipa manteve-se, há um misto melhorado entre juventude e experiência e a qualidade aumentou. Temos por isso que esperar bons resultados. Não sei se os vamos ter ou não, mas é isso que é racional esperar.

Houve alguns momentos na época passada onde pareceu faltar um bocadinho mais de talento e de opções para melhorar resultados e exibições, situação que este ano acredito estar resolvida. Sobra agora a necessidade de trabalhar ao nível das condições prévias que existem e que me parecem das melhores dos últimos anos.

As minhas interrogações moram no centro da defesa (mantemos uma defesa arrojada ou agarramo-nos à experiência?) e no centro do meio campo (será Celis a alternativa a Fejsa que Samaris não é?). Em tudo o resto estou tão tranquilo este ano que até acho que isto vai dar azar.

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