Ideias para o Metro de Lisboa

O metropolitano de Lisboa está cada vez mais longe do nível de serviço que um sistema deste género deve exibir. Baixas frequências, avarias frequentes e custos elevados são marcas do Metro de Lisboa, longe por isso dos atributos que fazem deste tipo de sistema o ideal para corredores de alto volume de procura.

Eu proponho uma reflexão assente nos seguintes eixos:

  • Disponibilidade de frota e infraestruturas;
  • Custos de operação;
  • Conceito de serviço.
O conceito e operação de metropolitano pesado parece ter sido abandonado depois da saída das velhinhas ML7

O conceito e operação de metropolitano pesado parece ter sido abandonado depois da saída das velhinhas ML7

De baixo para cima, o conceito de serviço: os investimentos e a estrutura que um transporte deste género impõem implicam um conceito fundamental à sua viabilização económica: tráfego muito elevado. Os custos fixos são elevados pelo que baixar as frequências não é necessariamente uma boa solução - diminui atractividade e por muito que o rácio passageiros/comboio possa melhorar, no limite a situação económica até pode ficar exatamente na mesma cumprindo um papel social muito menos ambicioso.

Os custos de operação são muito elevados e têm componentes dificilmente justificáveis numa altura de grande e crescente automatização. Finalmente, a disponibilidade da frota é cada vez mais escassa e as infraestruturas teimosamente estão vedadas à circulação praticamente 25% do dia.

Proponho por isso uma reflexão em torno de um novo conceito de operação do Metro de Lisboa: operação decalcada de um metro de superfície com as vantagens do canal 100% exclusivo do metropolitano clássico.

O que poderia mudar?

  1. Por a concurso a manutenção da frota, exigindo os níveis de disponibilidade que correspondam ao nível óptimo de eficiência para o nível de oferta a operar. Atribuir a quem tiver o menor custo - dificilmente não resultará em redução de custos, promove importação das melhores práticas de manutenção e define um tecto de gastos para a frota;
  2. Automatizar as linhas já preparadas - que eu saiba é só a vermelha. Implica instalar portas de acesso nas plataformas da linha;
  3. Automatizar processos de gestão ao longo da empresa de forma a eliminar parte da estrutura;
  4. Nas linhas não automatizadas, alterar o conceito de estações de forma a diminuir custos de operação - colocá-las de acesso livre e apostar em controlos dissuasores a bordo. Ficariam nas estações os únicos gastos inevitáveis - iluminação, policiamento e limpeza (estes últimos iriam aumentar um bocado, eu acredito que muito menos do que as poupanças realizadas);
  5. Reflectir sobre a manutenção dos troços para fora da cidade e pensar na introdução de percursos circulares - comboios utilizando as linhas verde e azul, num serviço diferenciado.

Obviamente que no estado de emergência financeira da República, a concessão podia ser interessante para promover mudanças operacionais grandes e atrair capacidade de investimento que pode ser necessária não só para a automatização como para beneficiação dos comboios. Confesso o meu total desconhecimento mas desconfio bastante das elevadas imobilizações deste tipo de material. É certo que a indisponibilidade destas unidades não será tão má como das antigas ML79 mas não sei até que ponto não necessitarão de beneficiação mais profunda para resolver problemas de eficácia e de eficiência.

O Metro de Lisboa não pode continuar a ter operação de metro ligeiro com custos de metro pesado. A situação atual é certamente mais embaraçosa e menos admissível do que eventuais ideias tresloucadas como as que podem fazer parte deste post.

2 Comments:

  1. Bom dia, antes de mais, é sempre bom ver pessoas a dar ideias para melhorar ao invés de simplesmente criticar e “mandar abaixo”, costume tão tipicamente português.
    quando diz, automatizar está a pensar em composições sem condutor?

    confesso não dominar o conceito de metro pesado vs ligeiro, mas porque diz que “O conceito e operação de metropolitano pesado parece ter sido abandonado depois da saída das velhinhas ML7”?

    Obrigado, e … belas fotos 🙂

    • Olá António. Sim, composições sem condutor.
      O metro pesado, por circular em canal dedicado e seguro, assume um tipo de operação mais intensiva que, no limite, também é o que permite pagar custos maiores – com estações, com gestão, com o financiamento da infraestrutura, etc. Ao apostar em troços para fora da cidade, de menor densidade, e mais recentemente numa menor densidade também dentro de portas, na prática o ML nega não só o seu conceito como a única possibilidade de ter uma operação de volume compatível com os seus gastos fixos.

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