Breves sobre os resultados económicos do Benfica

O Benfica emitiu ontem um comunicado a informar os resultados 2015/16. Sendo certo que só o R&C completo será possível ter uma imagem fidedigna, aqui ficam os meus espantos e confirmações.

  • Rendimentos operacionais em progressão sobretudo devido à performance Europeia e num recorde de 126M€ - em linha com o esperado;
  • Aumento de custos com pessoal - verdadeiramente espantado se considerarmos que no ano transacto o desinvestimento no plantel foi aparente;

Operacionalmente tivemos um resultado de 7,9M€, devido sobretudo à liga dos Campeões. 61,4M€ em encargos salariais, na nossa realidade, é apenas preocupante. Este ano eles subirão certamente e não será fácil fazer o mesmo dinheiro na Europa - começa aqui uma indicação de pressão económica futura.

  • Nos atletas os gastos com transações ascenderam a cerca de 18,5% do proveito das vendas;
  • A venda de três titulares (Lima, Gaitán e Renato) mais Ivan Cavaleiro renderam 81M€ no imediato - praticamente o mesmo que no ano anterior;
  • As amortizações atingiram os 37M€, mais 6M€ que no ano anterior.

Esta é a componente das contas onde se nota a bola de neve em que o Benfica se meteu com contratações. Os recentes investimentos em Jimenez e Rafa vão atirar as amortizações para cima de 40M€/ano, o que é um patamar preocupante na nossa realidade - é uma exigência brutal para a atividade da SAD. Tendo em conta que somos um clube tido como vendedor e potenciador, parece-me que as vendas de titulares estão a render pouco face ao esforço económico feito nas aquisições. Quando num ano em que se vendem 81M€ só se consegue de resultado líquido correspondentes a 37% dos proveitos, eu fico preocupado. Uma coisa já é certa - as vendas este ano não podem certamente ser inferiores. Podem começar a fazer as apostas sobre quem sai.

Por fim, houve uma primeira redução de encargos financeiros, fundamentalmente associados à redução do passivo exigível. A troca de financiamentos bancários por obrigações tem pouco potencial para tornar a dívida mais barata já que os juros a pagar em mercado não têm sido inferiores aos cobrados pelos bancos.

O resultado líquido é recorde (20M€) mas eu esperava mais de um ano anunciado como de forte contenção de custos e forte expansão de receitas. Se já houve exercícios mais negativos onde ficavam sobretudo boas sensações, neste ficou o contrário - uma sensação de insegurança grande. Estamos em pleno casino.

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