A solução do aeroporto de Lisboa está no Porto

Aeroporto de Lisboa. Um problema que começa logo na incerteza de ser um problema. É um problema estar no centro de Lisboa? Ter falta de capacidade? Ter de enfrentar um crescimento ainda maior nos anos vindouros?

A discussão volta agora com a força de um crescimento turístico sem precedentes e com a solução do Montijo praticamente riscada pelo Ministério da Defesa. O que resta? Construir um de raíz algures?

A mim parece-me que, perante a escassez de recursos e a extrema necessidade de apostar só nos cavalos certos, se devia explorar uma solução alternativa e completamente "fora da caixa". E se a solução para Lisboa estiver no Porto? Porque razão em 2016 temos de concentrar todos os movimentos junto ao local que é suposto servirem?

Esta ideia vem crescendo em mim com os seguintes fundamentos:

  • É duvidoso que o crescimento potencial do tráfego aéreo possa vir a justificar um aeroporto novo nos próximos 20 ou 30 anos. Mas é inequívoco que vai crescer;
  • Por outro lado, a saturação atual da linha do Norte já nos dá uma certeza: Portugal necessita de mais uma linha entre Lisboa e Porto para conseguir suportar a procura (passageiros e mercadorias) que já hoje em dia está por satisfazer;
  • O aeroporto do Porto tem mais capacidade para crescer a baixo custo que a Portela. Num comboio de alta velocidade, fica a 1h20 de Lisboa.

Tendo em conta que os montantes envolvidos entre linha nova e novo aeroporto são semelhantes - e o novo aeroporto necessitará ainda de novas infraestruturas, nomeadamente ferroviárias, para o seu acesso - parece-me claramente mais pertinente apostar na opção que, pela concentração de procura, permita reduzir claramente os riscos de tão amplo investimento público.

Nesse sentido, a linha Lisboa - Porto que será uma inevitabilidade - e que só vale a pena construir para circulações rápidas, ficando a atual para as lentas - pode ser a solução para tornar o Porto no aeroporto da tal solução Portela+1. Porque nem todos os vôos europeus ou intercontinentais têm de partir ou dirigir-se a Lisboa e porque soluções multimodais são hoje extensivamente utilizadas em vários países, com tempos de transbordo mínimos, capacidade assegurada (um comboio facilmente absorve os passageiros de 2 ou 3 aviões) e um tempo de ligação ao centro da cidade reduzido.

Portugal está por isso no bom momento de ser audaz e escolher bem. Mais do que construir novos aeroportos que necessitarão de infraestruturas adicionais de acessibilidade e com perspetivas de rentabilização pouco claras, Portugal pode apostar já num investimento ferroviário de necessidade absoluta e que pode permitir um equilíbrio muito maior no sistema de mobilidade aérea português. Aconselho para isso a abordagem alemã a este tipo de problemas, uma inspiração clara para as minhas linhas de hoje.

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