Estragar para privatizar a baixo preço

Algum dia eu teria direito a ser um desavergonhado populista. Este é o post.

O Governo, apoiado por PCP e BE, parece apostar tudo no desmantelamento operacional das principais empresas públicas de transportes provavelmente para tornar irreversível a necessidade de as privatizar, entregando-as nas mãos dos privados, sedentos de dinheiro e rendas do Estado ao mesmo tempo que privam a sociedade dos serviços públicos vitais.

Senão, como se explica que a Transtejo já só tenha 7 ou 8 barcos a funcionar, de 22? Quem ganha com a desvalorização total da frota, que representa a maioria dos ativos da empresa, senão o futuro comprador?

Como se explica que mais de 25% da frota do Metro de Lisboa esteja já fora de serviço, quando no Metro a frota é uma boa parte do seu ativo? Fica mais barato comprar sucata do que um serviço bem mantido, não é verdade?

Quem ganha com o facto da CP Lisboa estar novamente com uma frota contada e obrigada a pontuais supressões? A quem interessa esta degradação do serviço público? Será esta uma forma do Governo instalar na sociedade a ideia de que o que é público é necessariamente mau, para assim ganhar margem para privatizar sem contestação?

Quem ganharia com uma futura venda da Carris, com uma frota envelhecida, obrigada a cortar diariamente em mais de 25% da sua oferta programada e com uma capacidade operacional completamente diminuída? Estará o Governo a negociar com operadores de autocarros que quererão fazer de Lisboa um novo depósito de autocarros em 2ª mão trazidos da Alemanha?

A execução orçamental a que o Ministério das Finanças obriga estas empresas, que estão a executar muito abaixo do que tinham orçamentado, só pode interessar aos grandes interesses privados da área dos transportes. PS, PCP e Bloco de Esquerda assinam por baixo da decapitação operacional destas empresas em nome de uma venda a preço de saldos aos oligarcas do costume.

Há que parar isto! Por um governo patriótico e de centro, que impeça a venda a retalho dos serviços públicos a estrangeiros!

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