Vieira 2020 ou a primeira vez para tudo

As eleições para os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica são já amanhã e Luís Filipe Vieira prepara-se para renovar o mandato por mais quatro anos, atirando o seu consulado no cargo máximo do clube para 17 anos - um recorde na nossa história.

Altura de um breve balanço dos últimos quatros e uma antevisão dos próximos.


O que estava mal em 2012

  • Desportivamente tínhamos um treinador em roda livre e humilhações históricas (2010/11), juntando a tiros nos pés (2011/12) incompreensíveis numa equipa com um nível de investimento recorde;
  • A comunicação era extremamente centrada no presidente e numa lógica de poder pessoal - os órgãos do clube tinham demasiado tempo de antena dedicado aos feitos do presidente;
  • A situação financeira estava absolutamente descontrolada - era uma evidência.

O que mudou em quatro anos

  • A renovação com Jesus no momento mais improvável permitiu tê-lo, pela primeira vez, sob total controlo do clube. As vitórias apareceram;
  • Transitou-se de um modelo desportivo nascido e criado por Jesus para um modelo claramente do Benfica;
  • A comunicação passou a ser mais discreta e o presidente assumiu um papel mais institucional;
  • A forma como foi usada a BenficaTV para agitar o mercado dos direitos televisivos foi genial - e vários outros clubes estão a beneficiar disso.

O que não melhorou em quatro anos

  • A situação financeira virou em 2014 associado ao fim do financiamento convencional e acabou por obrigar a uma estagnação dos níveis de endividamento. Falta agora começar a baixar substancialmente os encargos com dívida;
  • Queira-se ou não, o Benfica deve liderar um rejuvenescimento e redinamização do associativismo. E aí a situação está igual a 2012 - o dia-a-dia do clube interessa a poucos.

Bons incentivos para votar a favor

  • Fundamentalmente a estabilização do modelo desportivo e diversas áreas que para ele contribuem;
  • Uma lista mais forte, com a queda do terrível Rui Gomes da Silva e a promoção de Fernando Tavares, um presidenciável na minha opinião;
  • Uma certa estabilidade pela positiva que se sente - a transição de Nuno Gomes para direção do CFC é um bom exemplo.

Bons incentivos para votar contra

  • Não acho que seja uma questão menor e mesmo que muito genérico penso que o respeito mínimo por um ato eleitoral merece um programa escrito para mostrar aos sócios;
  • Uma realidade financeira longe de ser um sossego - o exercício 2015/16 exibiu um lucro recorde mas também preocupações inesperadas nesta altura;
  • Alguma incerteza nos contratos de patrocínio / TV.

Veredicto

Pela primeira vez daqui vai um voto para Luís Filipe Vieira. Vou fechar os olhos à ausência de programa uma vez sem exemplo e dar um voto de confiança.

Espero que seja um mandato melhor financeiramente e a manter o sucesso desportivo - que de todo não precisa de tanto dinheiro desperdiçado para existir.

Que seja também um mandato para permitir a Vieira sair em grande em 2020, com 71 anos, evitando descenessárias degradações no exercício da presidência.

PS: O novo diretor de comunicação começou muito mal, como se vê hoje no Correio da Manhã. Nuvem negra no horizonte ou descuido pontual? Veremos.

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