Vertigo foi há 12 anos

Neste dia há 12 anos o lançamento de Vertigo atirou os U2 para o nr 1 dos tops um pouco por todo o lado no que foi o último grande êxito planetário da banda considerando a performance comercial e de audições.

É bastante sintomático que o último êxito planetário tenha pertencido ao pior álbum da banda dos últimos 25 anos, tendo álbuns posteriores de muito maior qualidade passado praticamente ao lado do mainstream, polémicas de lançamentos à arte. Na realidade acaba por dizer muito do que se tornou a indústria e, de forma mais geral, o mundo da música.

Vertigo é rock clássico com um refrão que fica no ouvido e um riff de estalar multidões mas hoje passaria provavelmente ao lado - seria até duvidoso que as rádios mainstream guardassem espaço para uma canção com uma guitarra tão incisiva. Nestes doze anos o rock foi praticamente varrido do mainstream e substituído por pop fácil (estamos longe do Pop de Michael Jackson) e sucessivas vagas de música eletrónica.

A banda nestes doze anos também mudou muito. Envelheceu, os seus originais rarearam ainda mais e, como acontece com todas, parece já ter menos chama para desafiar o desconhecido. Em 2009 editou um dos álbuns mais corajosos da sua carreira, No Line on The Horizon, que se eclipsou por uma má escolha de single e por um álbum mais orientado para alguma experimentação do que para produzir canções de massas. O álbum tem canções como Moment of Surrender, do melhor que já fizeram. A atenção foi nula.

Em 2014 publicou Songs of Innocence, álbum meio razoável meio genial, do qual a banda optou por publicitar a metade razoável. O tipo de tiros nos pés que têm sido comuns no pós-Vertigo e que têm continuação nas hesitações da sequela, ainda sem data.

Nestes doze anos muito mudou mas ouvir Vertigo continua a passar as mesmas sensações: o rock tem mais jovialidade do que as novas tendências lhe decretam. Haja quem possa mantê-lo à tona.

 

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