Trump, Geringonço-in-chief

Donald Trump é o verdadeiro abono de família da Geringonça.

Não admito que me colem ao personagem (basta lerem o meu twitter para ficarem a perceber), mas lá que Trump dá muito jeito, disso não hajam dúvidas. Os perigos que pairam sobre Portugal são incontáveis mas continuamos todos entretidos no desporto nacional que é rir dos disparates do vendedor de colchões americano e, de forma autorizada e nas páginas da imprensa, insultar o presidente das terras de Tio Sam.

Enquanto os bobos do regime insultam e se riem com Donald Trump, temos um comprovado caso de irregular funcionamento das instituições com contornos criminais. O ministério das Finanças aprovou um diploma construído por advogados de um gestor que queria entrar no setor público, contando com o apoio claro do Primeiro-Ministro e, imagine-se, do Presidente da República - exatamente o que devia zelar pela normalidade e seriedade institucional.

Mas há mais. Enquanto rimos de Trump, o americano prepara-se para cortar o IRC para 15% (é 35% atualmente) e por em cacos todas as economias indiferenciadas como a nossa, cujo fator de diferenciação só podia ser a fiscalidade. É engraçado encontrar anedotas na ação de Colloway e restante comandita do vendedor de colchões mas Portugal está, de forma consciente, a entrar numa tempestade enquanto garante que não é preciso fechar as janelas.

Nada se discute nem ninguém entende os mares em que navegamos, com juros a subirem vertiginosamente, uma economia completamente estagnada e zero ideias para reformar o país: o programa do Governo é até abertamente anti-reformista. E todos sorriem: mas há alguma coisa para mudar?

Enquanto a OCDE diz que este país está a esturricar os mais jovens para evitar reformas no sistema de pensões e no mercado laboral, Trump aproveita os bacocos risos da boçalidade vigente para traçar um choque fiscal que promete ser um real terramoto económico com óbvias vantagens para os norte-americanos e elevados prejuízos para a Europa e, muito particularmente, para Estados que dependem da fiscalidade para se diferenciarem - o caso de Portugal.

Não adianta já dizer que o PS tinha um acordo com o PSD para a reforma do IRC que, só por acaso, até iria por Portugal bastante a salvo desta grande ameaça fiscal que se desenha na Casa Branca.

Vamos cantando e rindo, com o alto patrocínio de Donald Trump, o seguro de vida da geringonça em 2017.

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