Previsões falhadas, os factos alternativos da política nacional

Não se ouve falar de outra coisa: as instituições internacionais que, maldosas, andaram o ano de 2016 todo a dizer que íamos falhar, afinal falharam e foi o governo que acertou tudo!

Este facto alternativo é aceite facilmente por todos os jornalistas que, coitados, esquecem as notícias que eles próprios deram. Um pequeno resumo do que foram as previsões feitas até metade de 2016 (depois disso já estávamos perante factos quase consumados, e as previsões revistas todas se aproximaram dos números finais).

Crescimento do PIB:

  • Governo: 2,4% - 2,1% e finalmente 1,8% no Orçamento de Estado;
  • Comissão Europeia: 1,6% e depois 1,5% (aqui)
  • OCDE: 1,6% e depois 1,2% (aqui)
  • FMI: 1,4% (aqui)

Final: 1,3% do PIB. Parece-me óbvio quem acertou (com espantosa precisão) e quem errou (com espantoso desfasamento).

Défice:

  • Governo: 2,2%
  • Comissão Europeia: 2,7% (aqui)
  • OCDE: 2,9% (aqui)
  • FMI: 2,9% (aqui)

Final: 2,3%. Sem medidas extraordinárias (do lado da receita, PERES), a CE anunciou hoje que teria sido de 2,6% do PIB. Naturalmente que uma previsão orçamental é feita sem contar com medidas extraordinárias que o governo não avisa. Só em cativações / investimento orçamentado e não executado, e nunca dito em lado algum que não seria executado (pelo contrário), houve mais de 1.000 milhões de cortes na despesa não previstos, grosso modo mais 0,5%. Ou seja, pegando no défice atual e descontando medidas extraordinárias estaríamos acima de 3%, e é esta a metodologia alvo de previsão. Quem acertou e quem falhou?

Dívida Pública:

  • Governo: 125% do PIB (aqui)
  • Comissão Europeia: 126% do PIB (aqui)
  • OCDE: 128% do PIB (aqui)
  • FMI: 128% do PIB (aqui)

Final: 130% do PIB. Ninguém acertou, todos falharam, Portugal fez pior do que o previsto.

 

Quem acertou e quem falhou previsões? A chico-espertice à volta do défice determina o falhanço de previsões internacionais? Não se esqueçam da cortina de fumo que estão a levantar à custa das instituições internacionais quando um tipo qualquer em Portugal quiser cortar os laços com elas. Venham depois dizer que não se percebe a animosidade contra o exterior.

PS: Muito mais indicadores e sub-indicadores poderiam ser usados. Nas exportações, nas importações, na despesa geral do estado, nas receitas tributárias, etc, etc, etc. Todas elas se reflectem nos indicadores acima indicados.

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