Os guarda-redes do futuro na mediocridade nacional

Ederson despediu-se dos relvados nacionais, exactamente três anos depois de, no mesmo palco, ter acontecido a despedida de Oblak. Foram, a todos os níveis, os melhores guarda-redes da era moderna a atuar em Portugal.

O legado destes dois guarda-redes, naturalmente bons demais para serem mantidos por cá durante mais tempo, não deve ser desprezado ou ignorado. Desde os tempos da outra senhora, ainda os guarda-redes agarravam a bola atrasada por colegas de equipa, Portugal tem sido pautado pela mediocridade absoluta nas balizas, de que apenas descolaram aqui e ali nomes como Helton, Schmeichel, Enke e Preud'homme.

Uma grande equipa tem de ter no guarda-redes o 11º jogador de campo e não apenas um tipo que pode agarrar a bola na grande área.

Ederson e Oblak mostraram a diferença e deram títulos a ganhar porque juntaram uma cultura de baliza de nível mundial com uma presença muito forte em toda a grande área e, talvez ainda mais importante, por saberem jogar tacticamente com o resto da equipa. A maior diferença está aqui e explica, em grande medida, porque até mesmo em fases da época menos inspiradas o Benfica com eles conseguiu manter uma notável eficácia defensiva mesmo defendendo com as suas linhas encostadas ao meio campo.

É certo que houve e há outros bons guarda-redes. Casillas ou Rui Patrício estão, é claro, num patamar acima da maioria dos demais. Mas são ainda assim bons exemplares da baliza indiferenciada e não da baliza como parte do jogo corrido. Isto para mim faz toda a diferença.

O Benfica vai ter um novo pesadelo pela frente para substituir um monstro como Ederson e, não acreditando na sorte de uma rápida substituição de igual nível, terá um problema táctico para resolver no próximo ano. A dimensão desse problema é a exacta dimensão da importância de ter guarda-redes do século XXI a defenderem as redes de uma equipa com ambições.

Que me perdoem os restantes, alguns dos quais que merecem muito respeito pelas suas carreiras, mas Ederson e Oblak mostraram que em Portugal regra geral a mediocridade entre os três postes é o valor que impera. Qualquer tipo forte no 1 para 1 é levado ao topo quando, no melhor dos casos, isso apenas impede a sua desqualificação. O caminho pela frente ainda é duro para melhor enquadrar os guarda-redes no futebol nacional.

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